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* memória repaginada

O dia quente, a chuva fria, o velho e solitário butiazeiro a alguns metros da casa. A gurizada, lanhada e entretida, quebra coquinhos com cascalhos do chão.

Ranhuras disfarçadas, tosses reprimidas e febrícolas acobertadas na manhã seguinte. Gemadas maternas restauram os desobedientes aventureirinhos de quintal.

Imagens opacas de uma infância pacata, 
interiorana e até feliz. 


foto: llunkes




Finger Food : Cheesecake de Copinho com Gemada de Butiá e Telhas de Coquinho

(rende 16 copinhos)


Para as telhas de coquinho

30 g de coquinho de butiá (moído fino) ou coco ralado seco
1 colher de sopa de farinha de trigo
30 g de manteiga derretida, temperatura ambiente
50 g de açúcar de confeiteiro
1 clara de ovo
Pitada de sal
Coco ralado para polvilhar


1. Misture bem a manteiga, a farinha e o açúcar. Acrescente a pitada de sal e a clara e bata bem. Acrescente o coco ralado, misture e leve à geladeira por 30 minutos.
2. Coloque uma colher de chá da mistura sobre uma assadeira forrada com papel manteiga untado ou em uma assadeira antiaderente. Esparrame a massa com uma espátula de forma a obter um círculo da espessura de um papel grosso. Polvilhe a massa esparramada com um pouco de coco ralado. Faça outras 4 ou 5 telhas, repetindo a operação
3. Leve ao fogo a 180 graus até dourar. Retire do forno. Deixe esfriar. Retira as telhas da forma, com cuidado. Com o auxílio de uma faca afiada, corte em tiras largas. Reserve.


Para o Cheesecake de Copinho

400 g de cream cheese, à temperatura ambiente
½ colher de chá de essência natural de baunilha
¼ colher de chá de essência natural de amêndoas
4 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Misture todos os ingredientes até incorporá-los bem e a mistura ficar cremosa. Reserve.

*

Para a Gemada de Butiá

100 ml de polpa de butiá
4 gemas de ovo
4 colheres de sopa de açúcar fino
16 mirtilos, lavados e secos

1. Em uma bacia de inox, misture a polpa do butiá, as gemas e o açúcar. Leve uma panela com 100 ml de água ao fogo e deixe levantar fervura. Encaixe a bacia na boca da panela. Não permita que a água toque a bacia (ver o vídeo). Bata as gemas constantemente até um creme leve se formar.
2. Remova a bacia imediatamente do vapor e continue batendo até esfriar.

*

Ao servir:

Coloque uma colher de chá de cheesecake em cada copinho. Sobre ele, coloque outra colher de gemada. Sobre a gemada, deposite um mirtilo e a telha de coco. Sirva.

***


* O-Pato-em-viagem: São Sebastião, Ilha Bela, Paraty e uma receita bacana de peixe com "guacamole" de banana









 
(fotos:llunkes)


Final de tarde de um dia qualquer. A suave brisa marítima embala, ao longe, as molengas ondas do mar chamativo e azul. A água de coco, geladinha, refresca o espírito ainda acalorado e a “suingada” rede convida a preguiça a botar os pés para o alto e tirar um breve cochilo. Os aromas convidativos  que rondam o ar aguçam a fome e prenunciam o jantar com os amigos e a família, seguido "daquela" caminhada digestiva pela beira da praia.

Pois é, o verão é, sim, um presente.  É tempo de baixarmos a guarda, de nos distanciarmos da rotina, de recarregarmos as baterias e aproveitarmos o que de melhor a estação tem para oferecer. É hora de viajar, de conhecer novas pessoas e novos lugares.
Com seus charmosos centros históricos encrustrados entre a exuberante serra do mar e as translúcidas águas oceânicas, São Sebastião, Ilha Bela  e Paraty são, sem dúvida, destinos “bacanassos” para essas férias. Para quem ainda não conhece esses pequenos paraísos, vai aí a dica certeira: vale realmente  a pena visitá-los. As imagens acima falam por si só. Ñtão tá ...
 Boas férias a todos e curtam cada momento desse presente. Até março.

 Ah, tem aí uma receitinha de verão, daquelas de dar água na boca. É só continuar rolando o cursor ...
(* mais fotos da viagem? aqui )

***

peixe com guacamole de banana ao azeite perfumado e saladinha




Pergunte a qualquer nativo da região sobre o prato caiçara mais representativo do lugar e a resposta será irremediavelmente a mesma por toda parte: peixe com banana. Em São Sebastião, a união inusitada - e saborosa - desses ingredientes traduz-se no “azul marinho”, um prato preparado à base bananas verdes e algum peixe disponível no dia. O nome curioso do prato vem do seu característico tom azulado, derivado da reação da casca da banana verde - que é utilizada na receita - com o calor do cozimento.

A receita abaixo, inspirada na combinação de ambos os ítens, propõe uma versão mais prática e moderna. A nova proposta traz alguns elementos de fusão (fusion) com as cozinhas mexicana e tailandesa. As bananas são utilizadas maduras e a casca é descartada (ufa!, diriam alguns). De preparo rápido e fácil, o prato é uma opção ideal para quem acabou de chegar da praia e quer descolar uma comidinha diferente, saborosa e  “num tapa”. Pode ser servido na forma de um finger food bacaninha ou, ainda, saboreado como uma entrada leve e descontraida. It´s your call.
Bom apetite.
(para 4 pessoas)


2 bananas catarina-prata grandes, maduras porém firmes (*)
300 g de algum peixe branco e firme, cortado em cubos grandes (finger food) ou em filés (entrada)
de 2 a 3 colheres de sopa de suco de limão taiti
6 colheres de sopa de óleo de oliva
3 cebolinhas verdes (somente a parte branca), fatiadas finamente
2 colheres de chá de gengibre ralado
2 dentes grandes de alho, amassados
2 filezinhos de anchovas, lavados e amassados até ficar um purê
(ou 2 colheres de chá de molho de peixe tailandês), opcional
2 raízes de coentro, picadas finamente (ingrediente opcional)
mescla de folhas verdes
algumas folhas de coentro (opcional)
sal marinho e pimenta preta moída
gotas de pimenta tabasco de halapeño ou cipotle (opcional)

  (*) evite a banana caturra

PREPARO

 
1. Para o azeite perfumado: Amasse os filezinhos de anchova e a raiz de coentro - no caso de usá-los  - até ficar um purê.  Junte o suco de limão, o gengibre, o alho esmagado, as fatias de cebolinha verde, o óleo de oliva,as gotas de pimenta. Deixe marinar por 10 minutos.
2. Enquanto isso, prepare o peixe: tempere o peixe com sal marinho e pimenta do reino. Em uma frigideira com um pouco óleo bem quente, frite um lado do peixe( o da apresentação). Deixe dourar levemente e leve ao forno à 200 graus centígrados. Asse entre  5  a 15 minutos ( isso irá depender da largura do filé) ou até ficar no ponto desejado.
3. Enquanto o peixe está no forno,  prepare a guacamole: descasque as bananas e amasse-as grosseiramente, tendo o cuidade para não transformá-las num purê. Deixe-as texturizadas. Derrame imediatamente o preparo do azeite. Retire o peixe do forno. Sirva-o acompanhado da guacamole e da saladinha de folhas verdes e coentro. Bom proveito.


*** 

* 'Velvet Elvis' Vive














fotos: llunkes

Fallout é uma série de vídeo-games interativos de veia pós-apocalíptica. Apesar de a ambientação do jogo reportar-nos aos longínquos anos 2100 e 2200, sua estética retro-futurística é totalmente inspirada na cultura pós-guerra dos anos 50. Em um de seus ‘episódios’, um retrado de Elvis Presley pintado em veludo (o icônico ‘Velvet Elvis) é encontrado junto ao esqueleto de um alienígena, em meio à fuselagem de uma espaçonave em ruínas. Repleta de paródias e anedotas da arte pop, a série brinca com os rumores e as piadas vigentes de que Elvis, ao contrário dos fatos,  estaria ainda vivo e a cantar seus aveludados covers em algum planeta distante da via-láctea (teria, por acaso, topado com Elis?).

Considerado um exemplo prototípico da arte kitsch, o ‘Velvet Elvis’ inspirou - e ainda o faz  - uma série de criações de artistas, músicos, compositores, designers, programadores, escritores e até chefs de cozinha.
***
É sabido que Elvis tinha predileção por um sanduiche bastante singular, feito com bananas, pasta de amendoim e bacon (há algumas divergências entre os seus biógrafos sobre este último componente). O Velvet Elvis, como ficou também conhecido o inusitado sanduba, serviu de fonte para alguns chefs que, valendo-se desses três ingredientes, criaram um pequeno repertório de iguarias 'velvisianas'. O Pato, então, embarcando na onda dessas criações, faz a sua homenagem ao rei do rock que - no ano em que os terráqueos rememoram os 35 anos de sua partida a bordo de um flying saucer  - encontra-se mais vivo e presente do que nunca. Para a felicidade de seus súditos intergalácticos! ( Que viagem!)

 
receita: Macarons 'Velvis' (Amendoim, Creme de Mariola e Bacon)
(esssa é para a  Fabi e o Matielo)




 A grata surpresa da receita abaixo fica por conta do recheio. Os elementos salgado e crocante dos minúsculos ‘grãos’ de bacon, em contraste com os sabores adocicado e ligeiramente ácido do sedoso creme de balas de bananas, criam um contraponto prazeiroso e inusitado. Se a palavra ‘bacon’, entretanto, lhe provocar vertigens nauseantes e o seu espírito aventureiro estiver ajustado para o modo 'off', não se acanhe – retire o ingrediente indesejado da lista de compras, imediatamente. Vambora? 

(rende em torno de 50 unidades pequenas)


para os macarons
110 g amendoim torrado sem sal e sem pele
200 g de açúcar de confeitEIro , menos 2 colheres de sopa
2 colheres de sopa de cacau em pó
100 g de clara de ovo ( 3 ovos)
50 g de açúcar fino
Pitada de sal
algumas gotas de limão




para o recheio
240 g de bala de banana da colônia ( mergulhadas em água fria por 20 minutos)
150 g de creme de leite fresco
1,5 colheres de sopa de licor de banana, ou rum, ou cognac

De 2 a 3 tiras de bacon (opcional)

PREPARO


1. Em um multiprocessador, triture a amendoim com o açúcar de confeiteiro, o cacau e a pitada de sal até formar um farinha bem fina. Peneire essa farinha e descarte a parte que ficou retina na peneira.


2.  Esquente as claras no micro-ondas por 20 segundos. Mexa bem e confira se perderam um pouco de suas viscosidades. Caso contrário, retorne ao micro-ondas por mais 20 segundos. Elas devem ficar morninhas, mas tenha o cuidado para não cozinhá-las. Bata, então, as claras em neve com as gotas de limão até ficarem em neve. Acrescente o açúcar fino e continue batendo até a espuma ficar brilhosa e de bicos firmes. Desligue a batedeira.


3. Com o auxílio de um batedor de ovos ou uma espátula de  silicone, inclua a farinha de amendoim peneirada e misture até incorporar bem. Coloque a massa em um saco de confeiteiro.


4. Em um tabuleiro forrado com papel manteiga untado, pressione o saco de confeiteiro e forme pequenas bolinhas distantes umas das outras, conforme o vídeo.


5. Se formar pequenos bicos no topo de cada bolinha, empurre-os para baixo , deixando a superfície do macaron homonênea. Deixe descansar por 90 minutos para que uma película externa se forme.


6. Enquanto isso, faça o recheio. Coloque as balas de bananas escorridas em uma panela pequena. Acrescente um pouco de água e cozinhe-as em fogo médio até se desmancharem por completo e formar um purê. Se necessário, vá acrescentando mais água, pouco a pouco. Quando o purê se formar, inclua o licor e o creme de leite. Deixe coinhar em fogo baixo por mais alguns minutuos e desligue. Acrescente algumas gotas de limão e deixe esfriar.  Coloque o creme em um outro saco de confeiteiro. Aqueça o forno a 170 graus centígrados e asse os macarons.





7. Leve os macarons para assar por uns 12 ou 15 minutos, deixando a porta do forno ligeiramente entreaberta entre os últimos 6 ou 7 minutos. Retire e deixe esfriar completamente antes de retirá-los cuidadosamente. Cuidado, sáo frágeis e desprendê-los do papel manteiga requer uma certa dose de paciência.


8. Finalizando os macarons: com o auxílio do saco de confeiteiro, coloque um pouco do recheio em uma das faces do macaron. Sobre o recheio, espalhe alguns "grãos" do bacon. Coloque a outra face sobre o recheio e o bacon e pressione até formar uma espécie de biscoito recheado. Pronto. Corra para oferecer seu macaron ao Elvis. Caso não encontrá-lo, que dane-se. Coma você mesmo.

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Sobrou macaroon? Que tal 'pintar' o seu próprio Velvet Elvis com eles?



* sopecitos para os pyro-gourmands

Após inúmeras tentativas frustradas com a madeira e o barro, os empenhados deuses do Popol Vuh, o livro sagrado dos maias, finalmente criaram a raça humana. E para chegar a tal engenhosidade-pouco-prosaica (porém-duvidosa), os criadores se valeram do milho, o dourado grão da vida. Estava dado o sopro inicial de uma das mais sólidas bases das culturas gastronômicas das américas.

                                   ***
A história do milho, nas civilizações pré e pós-colombianas, se confunde, muitas vezes, com as próprias histórias dessas culturas. Tão marcante é a presença desse alimento nas cozinhas regionais do continente que não daria para se imaginar, por exemplo, a atual cozinha mexicana sem a participação absoluta e soberana do maiz ('milho' em espanhol). Ao herdar de seus antepassados a técnica de nixtamalização do milho, esses povos, com o passar do tempo, abriram um leque  de infinitas possibilidades gastronômicas. De seus fogões e brazeiros, de onde exalam os inconfundíveis aromas adocicados de maiz tostado, salta uma gama impressionante de multiformes antojitos de masa de maiz ( snacks confeccionados à base de massa de milho nixtamalizado): são os tamales, as tortillas, as gordittas, os tacos, as chalupas, os nachos, as garnachas,as  quesadillas e as tostadas entre tantas outras engenhocas da gula. E os sopecitos  não poderiam ficar de fora dessa preciosa lista. Vamos, então, aprender um pouco mais sobre eles? (foto: llukes)


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Sushis, dim sums, tapas, mezes, antipasti - a maioria das culturas possui, em seus repertórios gastronômicos, pequenas porções de comida consumidas como entradas nas refeições ou como interlúdios entre elas. No México, esses pequenos bocados entram para a classe dos antojitos e são facilmente encontrados nas barraquinhas de comida espalhadas pelas ruas das cidades do país (street food). O mexicanos adoram os seus antojitos, especialmente aqueles confeccionados com masa de maiz ou masa harina (a farinha feita a partir da pasta de milho dextamalizado). Os sopes e sua versão, digamos, mais contida - os sopecitos – são pequenas 'panelinhas' feitas de masa. Suas bases, semelhantes à de uma tortilla pequena, porém espessa e com uma leve depressão no centro, são tostadas em uma chapa quente, moldadas, preenchidas com os mais variados tipos de recheios (que mudam de região para região) e , finalmente, fritas. Eles são uma delícia! 


                                                                  ***

finger food: sopecitos de chili con carne


Para os sopecitos (30 unidades)

2 ½  xícaras de masa harina (*)(encontrada em lojas de artigos gourmets)
1 ¾ xícaras de água quente
2 colheres de sopa de gordura vegetal ou banha de porco
100 ml de  farinha de trigo peneirada
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento químico
Pitada de açúcar

1.Misture a água e a massa harina (farinha de milho dextamalizada) até formar uma massa macia  e densa (veja um vídeo da titia Cecília de Ixtaca preparando os sopes).  Deixe parado por 30 minutos . Misture os demais ingredientes e, com o auxílio das palmas da mão, divida a massa em 30 esferas pequenas. Cubra-as  com um pano úmido para não secarem.


2. Aqueça uma caçarola de ferro grande. Pincele o fundo com óleo vegetal ou banha de porco.
3. Pressione uma das esferas entre as palmas da mão para achatar e obter um disco uniforme de aproximados  8 milímetros. Asse ambos os lados do disco na panela por uns 15 segundos e retire. Deixe esfriar  levemente  e , com o auxílio dos dedos, puxe a massa do centro do disco para as laterais de forma a obter paredes na borda e formar uma ‘panelinha’. Uniformize o centro da massa. Retorne com a panelinha para a panela de ferro e frite o lado achatado por mais um minuto. Retire e reserve o sope coberto em papel filme. Repita a operação com as outras esferas e reserve até a hora de finzalizá-los.

***


(*) Com dificuldades de encontrar a masa harina? Não se aperte. Faça, ao invés do sopecito, uma base de polenta. O resultado será, obviamente, diferente, mas você ainda terá, de qualquer forma, um finger food muito bacana. Basta cozinhar a polenta e dispersá-la em um tabuleiro enquanto ainda quente. Tenha o cuidado de deixá-la com uma altura homogênea de mais ou menos 1 cm por toda a superfície. Deixe esfriar. Com o auxílio de um cortador de cookies, corte a polenta em circunferências de uns 5 cm de diâmetro. Frite um lado de cada moeda e sirva-os com o chili con carne morno no topo. Está feito ! Agora, se você tiver a sorte de encontrar a masa harina, mande ver a receita acima.

Para o chili con carne

Tem um pessoal aí fora aficcionado por comida mexicana.  E é para essa galera 'doidia' por comida apimentada - os pyro gourmands - que a receita abaixo fora especialmente encomendada. Vamos lá então. Buen provecho!
(para 10 pessoas)


Essa receita está projetada para servir 10 pessoas como prato principal. Para os sopecitos, entretanto, essa quantidade excederá o necesssário. Isso, certamente, não se caracterizará como, digamos, um problema. Não há nada melhor do que ter um chili con carne à mão no freezer como uma alternativa de última hora. Sirva-o com arroz, queijo cheddar, creme azedo ou iogurte, fatias de avocado e tortillas chip. É prático e delicioso.)






4 pimentas poblano (chili poblano) desidratadas, mergulhadas em água morna por 15 minutos (*)
7 tomates, preparados conforme o vídeo
3 cabeças de alho assados conforme vídeo
5 tiras de bacon defumado naturalmente, picadas
2 choriços médios ( ou linguiça de porco) , cortados em cubos
1,2 kg de patinho, picado em cubos bem pequenos
1 kg de carne de porco, picada em cubos bem pequenos
7 colheres de sopa de chili em pó (*)
3 colheres de sopa de orégano seco
1 colher de sopa de cominho em pó
2 pimentões amarelos, cortados em cubos pequenos
1 pimentão vermelho, cortado em cubos pequenso
1 cebola roxa grande, cortada em cubos pequenos
0,5 xícaras de pimentas anaheim picadas (*), opcional
1 xícara de aipo , picado em cubos pequenos
4 chipotles picadas ou jalapenos frescos picados (ou a gosto)
300 ml de cerveja branca
400 g de tomates cerejas em lata
1 litro de fundo de frango ou água
1 punhado de coentro fresco picado
1 kilo de feijão vermelho cozido e escorrido ( ou 3 latas)
Pitada de açúcar
Suco de 1 limão taiti

 (*) produtos encontrados em lojas gourmets ou especializadas em produtos latino americanos


PROCEDIMENTO

1.Frite o bacon  e os choriços e retire o excesso de gordura. Adicione as carnes e frite até dourarem. Inclua o chili, o cominho, o sal e o orégano. Frite por mais alguns segundos. Acrescente os pimentões, a cebola, o aipo e as pimentas anaheim e cozinhe por mais alguns minutos.

2. Inclua a cerveja e a cipotle picada e deixe reduzir o líquido pela metade. Acrescente as pimentas poblano, o alho assado, o coentro, os feijões, a pitada de açúcar, o coentro, a lata de tomates cereja, os tomates assados e 1 xícara de fundo de frango. Deixe cozinhar em fogo brando por uns 30 minutos. Acrescente mais fundo de frango se for  necessário. O chili deve ser denso, estando mais para um feijão espesso do que para uma sopa rala. Corrija os temperos se for necessário, balanceando-os com o sal, mais uma pitada de açúcar e o suco de limão. Deixe o chili parado por uma hora antes de servir.

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Assista a um vídeo muito interessante sobre o milho e a gastronomia mexicana.Quer saber mais sobre finger food? clique aqui e aqui

* os peixes de água cítrica








fotos: llunkes



Desde a sua renascença na Flórida dos anos 80, o ceviche tem sido aclamado pelos chefs do planetinha como "one of the new hot things" da gastronomia mundial. Alguns aficcionados por esse sushizinho peruano (há controvérsias quanto à sua origem) afirmam que o peixão marinado é a cara do novo milênio: ágil, descontraído e de uma simplicidade, digamos, deliciosamente despretenciosa. Parece que temos aí, enfim, um pequeno contrapeso à vertiginosa complexidade da vida pós-moderna. Já não era sem tempo!

ceviche de frutos do mar, manga, tomates e tostones de bananas verdes
Como as carnes são, digamos, “cozidas” somente no suco do limão, o segredo no preparo do ceviche está, portanto, ancorado no frescor insuspeitável de cada componente do prato. Tenha a certeza de que tanto os frutos do mar quanto os demais ingredientes envolvidos sejam de altíssima qualidade e deixe o resto por conta da abundante generosidade de Pachamama, a mãe terra. É de levitar os espíritos.


 

(para 6 pessoas)


500g de uma mistura de peixe saint peter, camarões e vieiras, cortados em cubos de 1 cm
1,5 xícaras de suco de limão taiti
1 cebola roxa pequena, cortada em cubos pequenos
1 dente de alho, picado bem fino
1 colher de chá de gengibre ralado
1 pimenta dedo de moça, picada
1 tomate italiano maduro, sem sementes e cortado em cubos pequenos
um pouco de coentro picado
2 colheres de óleo de oliva extra-virgem
1 colher de chá de molho de peixe tai
1 colher de chá de açúcar (ou a gosto)
sal a gosto
½ manga, picada em cubos pequenos
brotos de cebola, läminas de quiabo cru, ciboulette (opcional)
tostones(chips) de bananas (opcional)

PREPARO
 
1. Cozinhando no limão: misture as carnes no limão, a cebola, o alho e o gengibre. Os cubos devem nadar no suco. Leve á geladeira por uma hora (para mal passado) ou por 3 horas ( para bem passado). Escorra os cubos (reserve o líquido) e misture a pimenta, o tomate, a manga, o molho de peixe e o coentro. Leve à geladeira até a hora de servir.

2. Ao servir: acrescente o açúcar e o óleo de oliva. Misture bem. Ajuste os temperos. Se necessário, acrescente mais molho de peixe e açúcar. O ceviche deve ser bem balanceado: levemente adocicado, cítrico e ligeiramente salgado. Divida as carnes em 4 pratos, polvilhe com os brotos de cebola, as lâminas de quiabo e a ciboulette picada. Sirva com os chips de banana. Bom apetite!!

(*) Os chips de banana são feitos com banana catarina verde, que é laminada em fatias finas e frita em óleo. Podem ser substituídos por mandioca, manidoquinha, batata inglesa, batata doce. A idéia é oferecer um contraponto crocante à maciez dos peixes.
(**) O ceviche pode ser também apresentado na forma de um finger food híper bacana. Basta servi-lo sobre os chips de banana ou qualquer outra base crocante. Muito simples e uma ótima maneira de iniciar um jantar!
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* a vênus negra e as bananas da saia












foto:llunkes


Joséphine Baker, a idolatrada vedete do teatro Folies Bergère de Paris, foi uma das artistas mais glamorosas e influentes de sua época. A sua mortal (porém imortal) performance jazzística, com o corpo recapado unicamente por uma saia de 16 bananas amarradas em volta da cintura, tornou-se uma inesgotável fonte de inspiração para o seu numeroso séquito de adoradores. Fashionistas, pintores, escritores, músicos e intelectuais não resisitiram aos apelos sensuais da exuberante Vênus Negra ( ou Pérola Negra, como era chamada). Chefs e gourmets, como não poderia deixar de ser, foram também hipnotizados por essa artista de vanguarda que subverteu a banana - imbuida de conotações de masculinidade e opressão racial - em um símbolo de poder e emancipação femininos. Alice B. Toklas, a amante de Gertrud Stein, em seu best-seller gastronômico de 1954 - celebríssimo, diga-se de passagem, pela sua incomum receita de brownie de machonha - dedicou uma de suas criações à inigualável Banana Girl. Banana e chocolate são, obviamente, as vedetes da receita.

  


receita: mini-rolinho primavera de bananas, castanhas de cajú e molho de chocolate ao rum

Não. Esta não é a receita que Alice B. Toklas criou para a sua provocante musa. Porém, para ser franco, isso pouco importa. De qualquer maneira, todos os elementos marcantes que iconizaram a diva ( e, possivelmente, a receita) estão presentes nessa deliciosa sobremesa: o calor das bananas carameladas e de casquinha crocante, o swing do molhinho de chocolate levemente alcoolizado e amargo... mmm ... E se serví-la com um sorvete, então ... puts, será de se rebolar! Jazz na caixa, maestro!

(para 30 canapés ou 6 sobremesas)

para os rolinhos ½ xícara de açúcar
4 colheres de água
2 colheres de sopa de karo
pitada de sal
300 ml de creme de leite fresco
4 bananas caturras grandes, maduras, porém firmes, cortada e pedaços
120 g de castanhas de cajú (torradas) picadas
pitada de sal
8 folhas de massa para rolinho primavera (harumaki) ou
(4 folhas se a receita for usada com sobremesa para 4 pessoas)
óleo para fritar
3 colheres de maizena e 3 colheres de água, misturados ( para selar os rolinhos)

para o molho de chocolate e rum
220 g de chocolate amargo, picado
1/3 xícara de karo
2/3 xícara de creme de leite fresco
1 colher de sopa de açúcar
4 colheres de sopa de rum ou cocoblank (rum com coco)

PREPARO

1. Coloque o açúcar, a água e o karo em uma panela e leve a fogo. Deixe ferver até formar um caramelo de cor ambar. Acrescente, imediatamente, o creme de leite. Cuidado para não queimar-se ao acrescentar o creme pois haverá uma atividade muito grande no caramelo.

2. Deixe o creme desmanchar o caramelo. Acrescente as bananas cortadas e cozinhe até elas ficarem bem macias e o creme de leite reduzir até ficar bem espesso. Acrescente a pitada de sal, misture e desligue.

3. Processe a massa da banana até ficar um purê consistente. Misture as castanhas picadas. Deixe esfriar.

4. Retire as folhas de harumaki do pacote. Trabalhe rápido pois elas secam rapidamente. A melhor maneira de manuseá-las é cobrí-las com um pano de prato úmido e ir retirando folha por folha, à medida que for fazendo os rolinhos, sempre cobrindo-as com o pano úmido.

5. Em uma superfície limpa, retire uma folha de harumaki. Corte-a em 4 quadrados iguais para os finger food. Se você preparar a versão sobremesa, deixe a folha inteira, pois o rolinho será maior.

6. Coloque uma porção da mistura de banana no centro da massa e enrole a massa conforme o vídeo que segue ( clique aqui ). O vídeo é curto e, apesar da pessoa que está preparando ser um pouco desajeitada, bastante ilustrativo. Foi o melhor que encontrei para demonstrar a técnica.

7. Utilize a mistura de maizena e água para pincelar a última borda a ser dobrada do rolinho. Isso irá selar a massa e evitará que ele se abra durante a fritura. Faça todos os rolinhos, um após o outro. Coloque-os em uma bandeja levemente untada, tendo do cuidado para que não toquem uns aos outros pois grudam. Cubra-os com outra toalha úmida durante o preparo.

8. Se for usá-los dentro de algumas horas, leve-os à geladeira cobertos e frite-os, minutos antes de servir, até dourar.

9. Por sorte, os rolinhos congelam muito bem. São uma excelente opção para quem quer fazê-los com dias de antecedência. O legal é que eles podem ser fritos sem degelar, especialmente se forem as mini porções. Simplesmente retire-os do freezer e frite-os imediatamente.
Dica importante: antes de ir ao freezer, enrole cada rolinho em um pedaço de papel alumínio. Isso irá evitar que grudem uns aos outros. Mas não esqueça de retirar o papel antes de fritá-los.

para o molho
1. Ferva o karo, o creme de leite e o açúcar até o último derreter. Desligue. Jogue, imediatamente, o chocolate picado. Deixe parado por um minuto. Misture bem até o molho ficar sedoso. Acrescente as colheres de rum. Misture novamente. Sirva o molho quente. (O molho pode ir à geladeira por até uns 3 dias. Ao servír, reaqueça-o em banho-maria.)

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* A batata de Louis Armstrong























foto:llunkes

Em 1927, Luis Armstrong escreveu, segundo alguns críticos, uma das mais memoráveis composições que o século XX já produzira. Décadas mais tarde, Isaac Davis, o bizarro personagem de Woody Allen em “Manhattan”, afirmou que “Potato Head Blues” era uma das provas mais incontestáveis de que valia a pena estar vivo. Outro fã-de-carteirinha, o trompetista italiano Enrico Rava, uma fera do universo jazzístico, incluiu a pérola musical na sua famosa lista dos 21-ítens-do-que-de-melhor-a-humanidade-já-criara. A lista seria, então, enviada para Marte - hipoteticamente - como a irrefutável evidência de vida inteligente na terra.

Declarações exageradas ou não, o que chama a atenção de imediato nessa obra atemporal é o seu ultra bem-humorado título, que tem despertado, desde a sua criação, inúmeras interpretações por parte dos historiadores. Uma das teorias mais convincentes arrisca que “cabeça de batata” seria um termo bastante utilizado entre a comunidade negra chicaguense da época com o intuito de retratar o altíssimo grau de ressaca de um sujeito após a excessiva injestão de "birita" barata. Ou seja, temos aí - em uma tradução mais livre - um verdadeiro "cabeção-com-a-capacidade-de-raciocínio-de-um-tubérculo". Divertido, mesmo. Pois é. É a batata no centro dos holofotes. E a julgar pelo seu passado ligeiramente inglório, quem diria que ela iria tão longe quanto Marte?


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Um dramalhão e tanto, isso sim. A paradoxal história da batata tem todos os ingredientes-chavões de um best-seller bem pegajoso. O suposto enredo, que inicia com a domesticação da raiz, há 10.000 anos atrás (que coincide, somente para situar no tempo, com o nascimento de Raul Seixas), atinge o seu pico dramático por volta do século XVI com a introdução da heroína-vegetal no dito “mundo civilizado”.

Inicialmente confundida pelos espanhóis com uma espécie de trufa, uma iguaria de valor inestimável para os “euro-almofadinhas”, a batata foi imediatamente abduzida das hortas pré-colombianas pelos conquistadores que tinham em mente vendê-la como uma requintada escrava de cozinha. Porém o desfecho não poderia ter sido menos favorável para a indiazinha e seus raptores. Os primeiros 300 anos em terras colonizadoras foram repletos de maus tratos e acusações maliciosas. Injustamente chamada de maçã-de-eva, testículo-da-terra, assassina, indigesta, insípida, causadora de lepra, provocadora de flatulência, incitadora de desejos sexuais proibidos - entre outras tantas malícias - a imigrantezinha enfrentou todos os tipos de preconceito.

Porém, os dias de iluminada redenção estariam ainda por vir, como nos grandes épicos. Pelo final do século XIX, a Europa, atingida por desastres naturais e guerras avassaladoras, encontrava-se desesperadamente necessitada de alternativas alimentares. O continente rende-se, amargamente arrependido, aos inestimáveis serviços da heroína. Era o inicio de uma nova era. De lá, para chegar aos sonoros pratos de Armstrong, foi somente necessário sentar calmamente e esperar pelo nascimento de um novo mártir. O jazz.

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receita: Batatinhas de forno recheadas
para 30 finger food

Este canapé é fácil de fazer, descoladíssimo e muito saboroso, afinal, batata e queijo são infalíveis. O tiro é certeiro. Para facilitar a sua vida, você pode deixar tudo pré-pronto. Na hora que os seus convidados derem o ar da graça, você só terá o trabalho de levá-los ao forno (os canapés) para aquecer e permitir que os queijos se fundam. Na maior tranquilidade.30 micro batatinhas, lavadas e secas
óleo de oliva extra-virgem
sal marinho
pimenta do reino
5 dentes de alho, sem a pele, esmagados

para o recheio100 g de gorgonzola, esfarelado
100 g de catupiri
2 colheres de sopa de queijo granna padano ralado ou parmesão
1 colher de sopa de creme de leite fresco, ou mais
2 fatias de bacon, com o excesso de gordura removido, assadas e cortadas em micro-cubos (opcional)
broto de cebola, ou salsinha, ou ciboulettes ( picados )

PREPARO

1.Corte as batatas em formato de um X de cima para baixo. O corte deve atravessar ¾ do corpo da batata. Cuidar para não cortá-la até a base pois irá se separar em 4 partes.

2.Coloque as batatas em uma bacia. Tempere-as com óleo de oliva, sal marinho e os dentes de alho esmagados. Deixe “marinar”por 30 minutos.

3. Aqueça o forno à 200 graus. Disponha as batatas, lado a lado, numa forma untada, com corte do X voltado para cima. Coloque um pouco de água na forma de modo a cobrir ligeiramente a base da mesma. Cubra a forma com papel alumínio e leve ao forno para assar. Cheque a cada 15 minutos. Quando as batatas estiveram macias e se abrirem ligeiramente, remova o papel alumínio e deixe no forno até dourar levemente.

Para o recheio1.Misture o gorgonzola com o creme de leite até obter uma pasta grossa mas maleável. Inclua o catupiri e o granna padano. Acrescente os micro-cubos de bacon picado. Mexa bem e coloque a massa num saco de confeiteiro.

2. Com o auxílio do bico do saco do confeiteiro, preencha as fendas abertas das batatinhas com a pasta dos queijos. Leve ao forno novamente para aquecer e gratinar levemente. Retire, povilhe com a erva e sirva seus convidados. Bom proveito.

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