Mostrando postagens com marcador entradas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entradas. Mostrar todas as postagens

* Bram Stoker e os alhos combatentes





Grande parte das lendas e superstições sobre vampiros originaram-se no leste europeu. Não há dúvidas, entretanto, de que a imagem definitiva e arquetípica do vampiro aristocrático, de aparência inteligente, fala macia e roupas elegantes venha do irlandês Bram Stoker. Até então, os vampiros das tradições do leste, com raras exceções, eram retratados como monstros grotescos, criaturas de egos mal recortados e psiquês descalibradas, maltrapilhos de unhas pútridas, cabelos desorganizados e peles arroxeadas e escamantes. Bram, para criar o nosso vampiro definitivo, valeu-se de várias características do conjunto de aberrações folclóricas, temperando-as em sua criação. Ao topo delas, porém, pincelou seu morcego humano com vernizes de nobreza e modernidade. 

Drácula é um romance que, apesar de sua veia popular e de fácil assimilação, instiga assuntos complexos como cultura de massas, insanidade mental, subtextualidade freudiana e junguiana, gênero, sexualidade feminina, colonização reversiva e modernidade. (Para alguns catedráticos, o romance pende entre a alegoria católica e a ansiedade psico-sexual vitoriana). A narrativa esconde alguns segredos nas profundezas de sua trama gótica. A exemplo de outras obras de arte e literatura, o livro revela parte de um tenso contexto social e político da época em que fora escrito, em 1897. 

A chegada, na Londres Vitoriana, de um estrangeiro misterioso, retratado na forma de um vampiro apreciador de sangue humano e com intenções pouco amistosas como a de dominar a Inglaterra, representava simbolicamente - quem diria?- as ansiedades e delírios de um império em declínio, repleto de cidadãos temerosos com hipotéticas invasões de alguma força estrangeira, possivelmente a da marinha francesa. Trocando em miúdos, o longo período de vampirismo colonialista imposto pelos britânicos assombrava-os de volta em seus devaneios oníricos e imaginações literárias. A história, porém, acabou por provar, ao final, que suas paranóias não estavam completamente desprovidas de fundamento. O que erraram, mesmo, - e feio - fora o alvo de suas previsões. Quem veio com tudo para cima deles não foi a França e, sim, a Alemanha. Se tivessem, pelo menos, recorrido ao charmoso conde da Transilvânia - e aos seus experientes vizinhos romenos -, saberiam que, para repelir o monstro invasor, bastariam apenas algumas poucas réstias de alho ... Quem sabe a história da primeira guerra poderia, desta forma, ter tido outro desfecho?

(fotos:llunkes)

***




Em algumas áreas rurais do leste europeu, ainda no presente, os moradores esfregam dentes de alho em seus animais domésticos e fixam réstias do vegetal repelente em suas portas frontais com o intuito de expulsar os vampiros que vagam à noite pelos seus povoados. Outra estratégia  - infalível - nos reporta ao divertido Vila Sésamo (quem se lembra da canção do Conde?). Vampiros são tidos como contadores compulsivos. Ao espalhar sementes de papoula e mostarda pelos cemitérios, os supersticiosos acreditam que esses hematófagos notívagos, ao saírem de suas tumbas, são compelidos a contá-las, uma a uma, e assim o fazem até o raiar do sol, quando, forçados pela claridade, retornam a seus caixões-aposentos sem a companhia de alguma vítima fatal.  That is clever!!!! Fasterrrrr, fasterrrr, it is so exciting, one, two, three, four, one, two, three, four, ai,ai,ai,ai ...


***


receita anti-vampiros (just in case!) :
pannacotta  de confit de alho e parmesão com figos marinados no balsâmico de figos





A harmonização perfeita entre a cremosidade perfumada do confit de alho, a agudez 'noseada' do parmesão, a acidez adocicada dos figos e a crocância da torradinha morna deixa essa receita irresistível.


(para 4 pessoas)



para o confit de alho 

 de 5 cabeças grandes de alho, descascados 
óleo vegetal, o quanto baste para cobrir o alho
raminho de tomilho fresco ou alecrim (opcional) 
folha pequena de louro 
1/2 xícara de creme de leite fresco 
1/2 xícara de leite integral 
casca de parmesão ou 50 g de parmesão em bloco inteiro (não ralar) 
2 colheres de chá (rasas) de gelatina em pó sem sabor dissovidas em 2 colheres de sopa de água fria 
pitada de noz moscada ralada fresca 
pitada de pimenta caiena ou branca 
sal marinho 

para o figo 

4 figos maduros, descascados e cortados em cubos pequenos 
1 colher de sopa de balsâmico em infusão de figos, ou aceto balsâmico tradicional + pitada de açúcar 
micro folhas de rúcula 

preparo 

para a pannacotta 

1. Faça o confit de alho: Coloque o alho, o ramo de erva e o louro em uma panela pequena. Coloque o óleo até cobrir. Leve ao fogo bem baixo e deixe cozinhar até ficar macio (40 minutos, aproximadamente). Deixe esfriar. Escorra. Descarte a erva. Passe os dentes de alho pela peneira de forma a obter um purê homogêneo. Reserve. Guarde o óleo para outro uso, se desejar. Se for reutilizar o óleo, sugiro que utilize óleo de oliva. 

 2. Faça a pannacotta: Misture o leite e o creme. Coloque a casca ou o bloco de parmesão e leve ao fogo. Deixe ferver. Desligue. Deixe esfriar. Coe. Descarte o parmesção. Leve o leite-creme novamente ao fogo e deixe esquentar. Coloque a gelatina e dissolva por completo. Desligue. 

3. Inclua o purê de alho e misture bem. Acrescente o sal, a noz moscada e a pimenta. 

4. Distribua a mistura em quatro formas e leve à geladeira até firmar. 

finalizando 

Misture o figo e o balsâmico. Desenforme as pannacottas em quatro pratos. Disponha o figo marinado sobre as panacottas e decore com a rúcula. Sirva com torradinhas bem finas. Bom apetite.


***

* O-Pato-em-viagem: São Sebastião, Ilha Bela, Paraty e uma receita bacana de peixe com "guacamole" de banana









 
(fotos:llunkes)


Final de tarde de um dia qualquer. A suave brisa marítima embala, ao longe, as molengas ondas do mar chamativo e azul. A água de coco, geladinha, refresca o espírito ainda acalorado e a “suingada” rede convida a preguiça a botar os pés para o alto e tirar um breve cochilo. Os aromas convidativos  que rondam o ar aguçam a fome e prenunciam o jantar com os amigos e a família, seguido "daquela" caminhada digestiva pela beira da praia.

Pois é, o verão é, sim, um presente.  É tempo de baixarmos a guarda, de nos distanciarmos da rotina, de recarregarmos as baterias e aproveitarmos o que de melhor a estação tem para oferecer. É hora de viajar, de conhecer novas pessoas e novos lugares.
Com seus charmosos centros históricos encrustrados entre a exuberante serra do mar e as translúcidas águas oceânicas, São Sebastião, Ilha Bela  e Paraty são, sem dúvida, destinos “bacanassos” para essas férias. Para quem ainda não conhece esses pequenos paraísos, vai aí a dica certeira: vale realmente  a pena visitá-los. As imagens acima falam por si só. Ñtão tá ...
 Boas férias a todos e curtam cada momento desse presente. Até março.

 Ah, tem aí uma receitinha de verão, daquelas de dar água na boca. É só continuar rolando o cursor ...
(* mais fotos da viagem? aqui )

***

peixe com guacamole de banana ao azeite perfumado e saladinha




Pergunte a qualquer nativo da região sobre o prato caiçara mais representativo do lugar e a resposta será irremediavelmente a mesma por toda parte: peixe com banana. Em São Sebastião, a união inusitada - e saborosa - desses ingredientes traduz-se no “azul marinho”, um prato preparado à base bananas verdes e algum peixe disponível no dia. O nome curioso do prato vem do seu característico tom azulado, derivado da reação da casca da banana verde - que é utilizada na receita - com o calor do cozimento.

A receita abaixo, inspirada na combinação de ambos os ítens, propõe uma versão mais prática e moderna. A nova proposta traz alguns elementos de fusão (fusion) com as cozinhas mexicana e tailandesa. As bananas são utilizadas maduras e a casca é descartada (ufa!, diriam alguns). De preparo rápido e fácil, o prato é uma opção ideal para quem acabou de chegar da praia e quer descolar uma comidinha diferente, saborosa e  “num tapa”. Pode ser servido na forma de um finger food bacaninha ou, ainda, saboreado como uma entrada leve e descontraida. It´s your call.
Bom apetite.
(para 4 pessoas)


2 bananas catarina-prata grandes, maduras porém firmes (*)
300 g de algum peixe branco e firme, cortado em cubos grandes (finger food) ou em filés (entrada)
de 2 a 3 colheres de sopa de suco de limão taiti
6 colheres de sopa de óleo de oliva
3 cebolinhas verdes (somente a parte branca), fatiadas finamente
2 colheres de chá de gengibre ralado
2 dentes grandes de alho, amassados
2 filezinhos de anchovas, lavados e amassados até ficar um purê
(ou 2 colheres de chá de molho de peixe tailandês), opcional
2 raízes de coentro, picadas finamente (ingrediente opcional)
mescla de folhas verdes
algumas folhas de coentro (opcional)
sal marinho e pimenta preta moída
gotas de pimenta tabasco de halapeño ou cipotle (opcional)

  (*) evite a banana caturra

PREPARO

 
1. Para o azeite perfumado: Amasse os filezinhos de anchova e a raiz de coentro - no caso de usá-los  - até ficar um purê.  Junte o suco de limão, o gengibre, o alho esmagado, as fatias de cebolinha verde, o óleo de oliva,as gotas de pimenta. Deixe marinar por 10 minutos.
2. Enquanto isso, prepare o peixe: tempere o peixe com sal marinho e pimenta do reino. Em uma frigideira com um pouco óleo bem quente, frite um lado do peixe( o da apresentação). Deixe dourar levemente e leve ao forno à 200 graus centígrados. Asse entre  5  a 15 minutos ( isso irá depender da largura do filé) ou até ficar no ponto desejado.
3. Enquanto o peixe está no forno,  prepare a guacamole: descasque as bananas e amasse-as grosseiramente, tendo o cuidade para não transformá-las num purê. Deixe-as texturizadas. Derrame imediatamente o preparo do azeite. Retire o peixe do forno. Sirva-o acompanhado da guacamole e da saladinha de folhas verdes e coentro. Bom proveito.


*** 

* primavera: Carré de Cordeiro com Vignole de Funcho, Ervilhas e Alcachofra, Molho de Ervilha e Hortelã, Farofinha de Castanha de Cajú e Cebolinha

A receita abaixo foi elaborada para o especial de primavera do Gastrô (Caderno de Gastronomia da Zero Hora). Bom proveito!!

A RECEITA

fotos: llunkes

para o Vignole

Criado pelos romanos para celebrar a primavera, o vignole é um prato vegetariano que carrega em seu DNA as indiscutíveis marcas da cozinha italiana: o profundo respeito à sazonalidade, a devoção à simplicidade, a ênfase na qualidade dos ingredientes e, acima de tudo, a obcessão pelo sabor.  Não dá outra: o angú só pode ser bom, mesmo! Bom proveito.


(para 4 pessoas)


Óleo de oliva extra-virgem

6 dentes de alho

1 alho porró pequeno, lavado e fatiado finamente

6 fatias de presunto de parma, cortado em tiras

300g de ervilhas frescas

4 fundos de alcachofra, cortados em cubos pequenos, ou lâminas

1 funcho pequeno, cortado em lâminas bem finas

1 colher de sopa de manteiga

Folhas de hortelã, cortadas em tiras bem finas

Sal marinho e pimenta preta a gosto





1.  Coloque o óleo e o alho em uma panela. Leve ao fogo alto e deixe fritar até o alho ficar transparente, porém sem cor. Acrecente o alho porró e o presunto, uma pitada de sal e baixe o fogo ao nível médio. Cozinhe até o alho porró ficar macio. Acrecente as ervilhas, o funcho eum pouco de água e tampe. Deixe cozinhar por uns 20 minutos. Acrescente as alcachofras. Tampe novamente e deixe cozinhar por mais uns 20 minutos. Acrescente mais um pouco de água se for necessário.

 2. Quando todos os vegetais estiverem bem macios, desligue. Coloque a manteiga, o sal, a pimenta preta. Reserve até a hora de servir.




para o molho de ervilhas e limão siciliano 


200 g de ervilhas frescas

meia cebola pequena

2 dentes de alho

1 colher de sopa manteiga ou óleo de oliva

200 ml de fundo de frango, aproximado (ou água)

Raspas de 1 limão siciliano

Sal e pimenta do reino a gosto


1. Cozinhe o alho, a cebola e uma pitada de sal na manteiga em fogo baixo até ficarem macios. Acrescente o fundo de frango e deixe levantar fervura. Acrescente as ervilhas e cozinhe até ficarem macias. Desligue e baixe a temperatura do líquido com as ervilhas o mais rápido possível , isso irá manter a cor verde-viva do molho.

2. Quando fria, bata tudo no liquidificador até obter um líquido viscoso. Se precisar acrescentar mais fundo de frango, faça-o. Tempere com sal e pimenta e reserve.





para  a farofinha de castanha de cajú e cebolinha

40 g de castanha de cajú, triturada até virar uma farinha

4 dentes de alho, laminados

1/2 xícara de farinha de mandioca

porção generosa de óleo de oliva

1 punhado de salsa e de cebolinha

sal marinho e pimenta do reino moída




Coloque, em uma panela, o alho e o óleo. Leve ao fogo e deixe fritar até o alho ficar translúcido. Acrescente a farinha de mandioca e deixe cozinhar até  a farinha ficar levemente tostada. Desligue. Deixe esfriar. Leve todos os ingredientes ao multiprocessador e triture até uma areia verde se formar. Reserve.




para o carré de cordeiro

2 carrés de cordeiro de 300 g cada, limpos

sal marinho e pimenta preta 

mostarda dijon



 Ligue o forno na temperatura de 220 graus. Tempere o cordeiro com sal e pimenta do reino. Leve uma frigideira ( que suporte altas temperaturas do forno) ao fogo . Deixe esquentar e coloque o óleo de oliva. Quando estiver bem quente, doure os carrés. Finalize o cozimento, levando a frigideira com os carrés ao forno por aproximadamente 10 ou 15 minutos. Retire o cordeiro do forno e deixe” descansar” por 5 minutos. 








finalizando  o prato

Enquanto o cordeiro “descansa” de sua aeróbica de alto impacto do forno, leve o molho e o vignole ao fogo para esquentar. Quando quentes, desligue e coloque as raspas de limão no molho juntamente com algumas gotas de limão e a hortelã picada no vignole. Misture bem. Passe um pouco de mostarda na parte superior do carré. Polvilhe com a farofinha. Leve novamente ao forno por uns 2 minutos. Retire.  Corte cada carré do cordeiro ao meio.  Sirva-o com todos os demais componentes. Bom apetite.


***

* Ravioli Primavera (Aspargos, Nozes e Creme de Ricota), Molho Cremoso de Espumante e Pecorino, Flores e Brotos Comestíveis

A receita abaixo foi criada para o especial de primavera do Gastrô (Caderno de Gastronomia da Zero Hora). Bom proveito!!


 
foto: llunkes
(para 4 pessoas)

Para o recheio
1 molho de aspargos
1 dente grande de alho, picado finamente
5 colheres de sopa de pecorino romano ralado ou parmesão
8 colheres de sopa de ricota creme
80 g de nozes, torradas e picadas


1. Remova  a parte fibrosa dos aspargos, cortando uns 4 cm a partir de suas bases. Descarte as bases. Coloque  os aspargos na água fervente com sal e cozinhe até atingirem o ponto al dente. Escorra-os e coloque-os imediatamente em água gelada. Deixe esfriar  e escorra novamente.

2.  Em um multi-processador, coloque os aspargos, o alho, o pecorino e a ricota. Processe até ficar bem cremoso. Se necessário, acrescente mais ricota. Tempere com sal e pimenta preta. Acrescente as nozes e misture. Reserve.


3.  Com o recheio pronto, você tem duas opções para finalizar os raviólis:  a primeira, e a mais prática, seria levar esse recheio à uma casa de massas de sua confiança e pedir para que eles finalizem seus raviólis. É uma prática aceitável e que irá reduzir o seu tempo na cozinha consideravelmente. Não esqueça de que o recheio é a parte mais importante, e  você ainda terá os seus raviolis costumizados. A segunda opção, seria fazer a massa e fechá-los você mesmo. Nesse caso, a receita da massa segue abaixo, no final dos procedimentos.  Considerando, neste momento,  que seus raviólis já estejam finalizados, vamos à receita do molho.

Para o molho

3 dentes de alho , esmagados
4 colheres de sopa de cebola picada
1 xícara de Freixenet carta nevada demi sec  ou outra espumante
200ml de creme de leite fresco
de 2 a 3 colheres de sopa de Pecorino ralado
Sal marinho e pimenta do reino a gosto

1. Leve ao fogo uma panela pequena de inox com a espumante, o alho e a cebola. Deixe levantar fervura  reduza o líquido até quase evaporar por completo. Acrescente o creme de leite e deixe levantar fervura. Desligue e coe. Volte com o molho ao fogo e deixe enquentar. Acrescente o pecorino. Desligue. Cozinhe os raviólis em água salgada e fervente. Escorra-os e sirva com o molho e os acompanhamentos.

Para os acompanhamentos: uma mescla de algumas flores comestíveis ( pode ser brócolis, couve-flor roxa,  broto-de-feijão, cebolinha e ciboulette, manjericão, sálvia, pétalas de calêndula, entre outras); alguns brotos (de rabanete, de girassol, de alfafa, de ervilha , de cebola) e micro folhas como de as funcho, couve-de-bruxelas  ou de beterraba, por exemplo.

(fotos:llunkes)

***

Para a massa do ravioli

2 xícaras de farinha de trigo, peneirada
2 ovos grandes
0,5 colher de chá de óleo de oliva

1. Misture os ovos e o óleo de oliva. Em uma bacia grande, coloque a farinha. Faça um “poço” no centro da farinha e acrescente a mistura dos ovos nessa depressão. Com o auxílio de um garfo, vá incorporando a farinha, ao poucos, nos ovos até formar uma pasta espessa. Com o auxílio das mãos, incorpore o restante da farinha e comece a sovar a massa. Continue sovando  até a massa ficar elástica, homogênea  e levemente grudenta. Leve-a à geladeira por  30 minutos.

2. Abra a massa. Corte os raviólis. Coloque o recheio e feche-os raviólis como se fossem pequenos pastéis.

3. Cozinhe os raviólis em água fervente e salgada por aproximados 5 minutos. Escorra e sirva-os com o molho e os acompanhamentos (ou ainda sem eles, se desejar.  O que realmente importa é o recheio!!)


***

* Moccoteau??!! Oui, Madame!


fotos:llunkes


Quando digo para as pessoas que não há nada mais francês na gastronomia riograndense do que o mocotó gaúcho, seus semblantes  reagem surpresos, esboçando as retorcidas formas de um mondongo nauseado e descrente.  Para sustentar, então, meu argumento levemente subjetivo, utilizo-me do cassoulet, um prato típico do Languedoque e com características geneticamente compatíveis com o nosso mocotó . Apesar de a origem do angú pampeano ser aparentemente portuguesa (ler sobre a historia do mocotó aqui),  não há como negar as suas semelhanças com a versão francesa. Qu'est-ce que c'est? Moccoteau, madame!


Mocotó de Frutos do Mar (lagosta, lagostim, polvo e arraia)

Pois é, estamos diante de um prato polêmico e que divide as inflamadas opiniões em dois lados radicais e bem definidos: o time dos que amam intensamente o motocó e, na contrapartida dessas paixões, o grupo daqueles que simplesmente detestam o prato. Não há, praticamente, nenhuma outra existência entre esses dois extremos.  Na tentativa, então, de resgatar os paladares horrorizados e apáticos do segundo grupo, proponho uma releitura menos sinistra dessa maravilha, retirando os cortes de carnes tidos como “suspeitos”  e substituindo-os por carnes alternativas. A seleção dos frutos do mar utilzados nessa receita abaixo é, digamos, aleatória. Você pode perfeitamente substituir alguns dos ítens propostos por outros de sua preferência  ou fixar-se em somente um deles. A escolha é sua. Bon appétit.

Veja, ao final da receita, as dicas de Juliano Garavaglia - professor de Enologia e Enogastronomia da UFCSPA - para a harmonização deste prato com vinhos. 




(rende de 4 a 6 porções)

Para as carnes

tentáculos de 1 polvo médio-grande, congelado para amaciar a carne
2 lagostas
250 g de lagostins ou camarões grandes
600 g de arraia

1.Polvo: Degele o polvo. Em uma panela de pressão, coloque os tentáculos  e cubra-os com água. Não coloque sal. Leve ao fogo. Deixe a pressão começar. Desligue após 20 minutos de pressão.  Retire a pressão e retire os tentáculos do líquido. Retire o máximo que puder da pele dos tentáculos. Reserve a carne e o líquido. Ver vídeo.

2. Lagostas: Leve ao fogo uma panela com água o suficiente para cobrir as lagostas. Quando levantar fervura, coloque as lagostas na água escaldante e deixe-as por 5 minutos. Retire as lagostas e mergulhe-as em água fria. Retire as carnes conforme o vídeo. Corte a cauda em pedaços grandes. Reserve a casca da cauda e das patas para o caldo.

3. Prepare os lagostins conforme o vídeo. Reserve as cascas para o caldo

4. Retire os filés das arrais e corte-os em pedaços. Reserve a cartilagem das asas para o caldo.


para o caldo
3,5 kg de mocotó, serradas em pedaços ( aprox. 3 patas), lavados
Cascas e cartilagens dos peixes limpos
4,5 litros de fundo de frango ou água
1 colher de chá cheia de camarão seco (opcional)
1 cenoura média, cortada em cubos
1 talo de aipo, cortado em cubos
1 cebola grande, cortada em 4 partes
6 dentes de alho, esmagados
1 folha de louro
1 raminho de tomilho fresco
1 colehr de sopa de pimenta preta em grãos
2 cravos da índia

1.Junte os 3 primeiros ingredientes em uma panela grande e leve ao fogo. Deixe levantar fervura. Baixe o fogo. Retire, com o auxílio de uma concha, a espuma e gordura que subirem a superfície. Isso deve ser feito a cada 15 minutos do cozimento. É vital para obter-se um caldo transparente.
2. Depois de 45 minutos,  acrescente o restante dos ingredientes e deixe cozinhar por adicionais 90 minutos. Desligue, deixe esfriar e coe o caldo. Retire os tutanos dos ossos e reserve-os na geladeira. Reserve.


para o feijão branco
1 xícara de feijão branco, posto de molho em água fria por algumas horas
6 dentes de alho, laminados
100 g de chouriço ou linguicinha de porco
1 cenoura média, brunoise
1 talo de aipo pequeno, brunoise
Meia cebola, brunoise
1 xícara de vinho branco seco
água o quanto baste ou fundo de frango
sal marinho

1.Frite a linguicinha. Retire o excesso de gordura. Acrescente o alho picado e frite por mais alguns segundos, sem deixar o alho dourar. Inclua a cenoura, o aipo, a cebola e uma pitada de sal. Deixe cozinhar por mais alguns minutos. Coloque o vinho e deixe reduzir o líquido até quase todo evaporar. Inclua o feijão  e água cobrindo os grãos a uma altura de uns 6 cm. Deixe levantar fervura , baixe o fogo e deixe cozinhar até os grãos ficarem macios e o caldo levemente espesso. Desligue e coloque o sal. Retire a folha de louro e o ramo do tomilho. Reserve.


Para os acompanhamentos
3 tomates italianos, sem pele, sem sementes e cortado em cubos
Farinha de mandioca (pouca)
tutanos fervidos dos ossos do caldo
Ovos de codorna, fervidos
Azeitonas pretas, lavadas
ciboullette picada ou salsinha picada
pimenta malagueta
sal marinho
pão baguete




Finalizando o mocotó:

1.Misture o feijão e 2,5 litros do caldo. Leve ao fogo e deixe levantar fervura. Acrescente os tomates e as azeitonas.  Ajuste a consistência do caldo utilizando um pouco de farinha de mandioca ( acrescente de colher em colher ) se desejar ele mais viscoso. Se desejar ele mais ralo, acrescente um pouco mais do caldo. Coloque o sal, se necessário.
2. Estando a consistência na viscosidade desejada, acrescente as carnes e deixe cozinhar por uns 2 minutos.  Desligue o mocotó. Coloque a ciboullete ( ou a salsinha ) .
3. Sirva-o imediatamente com a pimenta malagueta, os ovos de corodna, os tutanos e um pedaçõ de baguete. Bom apetite.

***

Que vinho para companhar? Veja o que Juliano Garavaglia, professor de Enologia e Enogastronomia da UFCSPA recomenda.



"Este é prato difícil de harmonizar, pois são vários os sabores e aromas misturados, formando um sabor complexo e, ao mesmo tempo, rico. Desta forma, o vinho deverá possuir a mesma complexidade, rico em aromas e com uma boa acidez para fazer uma junção de todas as caracteristicas organolépticas. Por isso, deve-se preferir vinhos brancos mais encorpados, mas que ao mesmo tempo, possuam aromas marcantes, tais como, um vinho Chablis, elaborado na Bourgogne, França, com uvas Chardonnay e com um aroma mineral e cítrico bastante interessantes e acidez marcante. Um bom Chablis, como o vinho William Fevre Chablis Premier Fourchaume 1er Cru seria uma boa opção.



Além disso, em função da complexidade aromática e o bom frescor do gás carbônico fornecido pelos espumantes poderiam ser uma alternativa. No Brasil inúmeros espumantes obtidos pelo método Tradicional possuem boa qualidade e complexidade organolépticas, tais como, o vinho espumante Cave Geisse Nature, rico em aromas e bastante encorpado ao paladar, ou então, o espumante Casa Valduga Brut 130 anos, mas até mesmo um espumante rosé poderia ser uma opção interessante. 


Boa degustação! "

Juliano Garavaglia
Professor de Enologia e Enogastronomia da UFCSPA





* salada composta















A pedido: segue abaixo a receita da penúltima revista Záffari com fotos muito bacanas de Letícia Remião. Bom proveito!


***



Salada Mista com Salmão Defumado, Confit de alho e

 Vinagrete de Jerez e Limão

(para 4 pessoas)

para a salada

2 corações de alcachofras congelados
6 hastes de aspargos verdes, com 4 cm da base removidos e descartados
80 g de feijão-vagem amarelo
1 abobrinha pequena, cortada em tiras finas longitudinais
60 g de favas congeladas
punhado de agrião hidropônico
¼ de cebola branca, cortada em tiras bem finas
punhado de alface americana, partida em pedaços pequenos
4 colheres de queijo quark, drenado em uma peneira
100 g de salmão defumado, rasgado em pedaços

1. Cozinhe, separadamente, as alcachofras, os aspargos, e feijão-vagem em água salgada até ficarem macios. Mergulhe-os em água fria, escorra e corte as alcachofras em tiras e os aspargos em bastões. Reserve.
2. Cozinhe as tiras de abobrinha em agua fervente com sal por 30 segundos. Mergulhe-as, imediatamente, em água fria. Escorra, seque as tiras e reserve.
3. Cozinhe as favas por uns 4 minutos. Coloque-as em água fria. Escorra e retire a pele de cada fava. Reserve.


para o confit de alho

(o alho preparado dessa maneira fica muito suave e adocicado)
1 cabeça de alho, dentes separados e com a casca
raminho de alecrim ou tomilho
1 folha de louro
óleo de oliva extra-virgem, o quanto baste para cobrir o alho

1. Coloque o alho, o louro e o alecrim em uma forma refratária pequena. Cubra-os com óleo de oliva. Acrescente uma pitada de sal. Cubra com paple alumínio e leve ao forno à 160 graus por uma hora, ou até ficarem macios e cheirosos. Deixe esfriar e retire a pele de cada dente cuidadosamente. Reserve os dentes fora do óleo.





para o vinagrete

4 colheres de sopa de vinagre de jerez ou de vinho branco
1 colher de chá rasa de mostarda dijon
1,5 colheres de chá de açúcar ou mel
1 filezinho de anchova, triturado ou 1 colher de sopa de molho de peixe tailandês
raspas de 1 limão siciliano pequeno
de ½ a ¾ de xícara de óleo de oliva extra-virgem

1. Misture o vinagre, a mostarda o açúcar e o filezinho de anchova.
2. Com o auxílio de um batedor de ovos, acrescetne o óleo em um fio, sempre mexendo até incorporar. Acrescente as raspas de limão.

para servir




1. Misture todos as verduras e folhas da salada com excessão do quark. Inclua os dentes de alho assado e o salmão. Coloque um pouco de sal e pimenta preta. Tempere com o vinagrete a gosto. Sirva em 4 pratos fundos e distribua o quark em cada prato. Sirva imediatamente. Bom proveito